Como a cultura consumista vem afetando nossos relacionamentos amorosos

Como a cultura consumista vem afetando nossos relacionamentos amorosos
18 set 2016

Diversos especialistas têm constatado que a crescente cultura consumista vem afetando nossos costumes de modo geral, inclusive nossos relacionamentos amorosos. Na constatação, os efeitos do consumismo não estão relacionados aos gastos de cada um, ao ponto de desagradar o outro, e sim, ao hábito de tratar os relacionamentos como algo facilmente substituível, assim como estamos tratando nossos bens.

Vivemos uma realidade onde produtos evoluem o tempo todo. Se no século passado um mesmo aparelho eletrônico cumpria seu papel por 20, 30 ou mais anos, hoje é raro um aparelho celular, por exemplo, que dure por mais de 5 anos. Ou sua vida útil chegará ao fim, ou será preciso trocá-lo graças a sua tecnologia, que se tornará obsoleta, aliada a uma perda de desempenho.

A cultura consumista também tirou de nós o hábito de consertar as coisas. Antes gastávamos dinheiro e tempo consertando o que tínhamos, hoje, cada vez mais, optamos por trocar o item estragado por um novinho em folha, mesmo quando o dano não é grave. Substituir parece uma alternativa mais prática, o custo compensa, e além disso estamos apenas antecipando uma troca que faríamos em breve, já que os produtos precisam mesmo ser trocados em intervalos cada vez mais curtos.

Deixar um celular 15 dias no conserto aguardando uma peça que custa R$ 600,00? Jamais, prefiro comprar outro novo agora mesmo.

Como essa cultura tem afetado os relacionamentos?

Não é errado optar pela substituição de um aparelho, tampouco querer ter sempre um aparelho de última geração, o problema é que o ser humano tem o hábito de incorporar seus costumes em todas as áreas, e acabamos importando a cultura consumista para os relacionamentos. Estamos acostumados a ter produtos e aparelhos com soluções cada vez mais brilhantes, desempenhos cada vez mais espetaculares, sem que tenhamos de gastar tempo e esforço para consertá-los. Sendo assim, criamos a expectativa de que os relacionamentos também sigam esse padrão: sejam brilhantes, atendam perfeitamente nossas necessidades, sem estarmos dispostos a gastar tempo e energia para consertar o que não está legal, fazer ajustes e alinhamentos. Quando o desempenho dá indícios de que deixará a desejar, entendemos que é hora de substituir. Temos desistido mais de nossos relacionamentos, principalmente nos estágios iniciais, quando não há laços efetivos que estimulem o desejo de recuperação.

A importância de encontrar um meio-termo

Não estamos dizendo que o certo é se manter em um relacionamento a todo custo, insistindo infinitas vezes em uma relação que não está fazendo bem. No entanto, a total pré-disposição para desistir da relação ao menor desarranjo pode parecer uma boa estratégia na busca de um parceiro ideal, já que estamos abrindo mão de um para estarmos disponíveis a outro, mas não funciona bem assim, já que não existe parceiro perfeito. Em uma relação sempre será preciso diálogo, conversas, ajustes, reparos, tanto no outro quanto em nós mesmos, que dificilmente somos o tal parceiro perfeito do outro. É praticamente impossível a existência de um namoro ou casamento em que ambos permaneçam no mais perfeito acordo, sem divergirem em nenhum momento. Optar por substituir o parceiro devido a um pequeno desarranjo pode significar a perda de uma relação promissora, que poderia funcionar muito bem após diálogo, reflexão e adaptação.

Se este diálogo está difícil de acontecer ou gerando muito conflito, não levando a lugar nenhum, não tenha receio de buscar uma terapia de casal. Lá é o espaço que o terapeuta abre para facilitar o diálogo e a busca de novas estratégias para a construção de uma melhor relação. Não adie a resolução de seus conflitos, pois eles irão reaparecer a qualquer momento, quando não trabalhados.

Share

Ana Carolina Morici
Ana Carolina Morici

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *