A criança não precisa tomar partido na separação dos pais
10 nov 2025
Quando os pais se separam, é natural que surjam sentimentos de mágoa, raiva e frustração, à cada membro do casal. Mas o que não pode acontecer é transformar a criança em participante desses conflitos. Forçá-la a tomar partido de um dos lados coloca sobre ela um peso emocional que não deveria carregar, e a coloca em uma posição de lealdade dividida: amar um dos pais passa a parecer traição ao outro.
Esse tipo de situação causa confusão e culpa. A criança aprende cedo demais, que precisa escolher a quem demonstrar afeto, o que pode contar a um dos pais e não ao outro, e até como se comportar dependendo de com quem está. Essa tensão emocional constante prejudica o senso de segurança e pode gerar ansiedade, insegurança e dificuldade de confiar nos próprios sentimentos.
O que muitas vezes os adultos não percebem é que, ao falar mal do outro genitor ou insinuar que ele é o “culpado”, estão colocando a criança em uma posição de conflito interno. Ela ama os dois, e precisa se sentir livre para manter esse vínculo. Quando é pressionada a escolher, aprende que o amor precisa vir acompanhado de medo ou de culpa — e esse é um aprendizado profundamente nocivo, o que pode influenciar sua vida afetiva futura.
A separação é responsabilidade dos adultos. É papel deles proteger o bem-estar emocional dos filhos e garantir que continuem tendo uma relação saudável com ambos, dentro dos limites e acordos estabelecidos. O que a criança mais precisa nesse momento, não é de explicações sobre o que deu errado entre os pais, mas da segurança de que ela continua amada e livre para amar aos dois.
Proteger a criança é também poupá-la de lealdades forçadas. Ela não precisa escolher um lado — precisa apenas saber que, apesar da separação, continua pertencendo aos dois mundos de forma segura e acolhida. Essa é a base que vai permitir que cresça sem desconfiança, e sem carregar o peso de uma disputa que nunca deveria ter sido sua.
